No auge econômico do Japão pós-guerra, Kikuo Tachibana, nascido em uma família yakuza, é adotado por um ator de kabuki e, apesar das dificuldades, se torna um talentoso artista... OU... Para quem não conhece absolutamente nada da arte do Kabuki (é uma forma de teatro japonês, conhecida pelo drama estilizado e a elaborada maquiagem utilizada pelos atores. O significado individual de cada ideograma é canto (ka), dança (bu) e habilidade (ki), e por isso a palavra kabuki é por vezes traduzida como "a arte de cantar e dançar". A sua origem remonta ao início do século XVII e à chegada a Quioto de Izumo no Okuni, a auto-proclamada miko (nome das sacerdotisas e invocadoras de espíritos a serviço dos templos shinto) com o seu corpo de dançarinas, com os seus figurinos provocatórios (em que a indumentária cristã, copiada dos viajantes portugueses se misturava aos atributos tradicionais dos samurais — e isto tudo vestido por mulheres) e os seus números "bizarros" (kabuki) em que antigas danças de cariz religioso eram parodiadas com acentuações de ousada sensualidade. Muito cedo passou esta forma de intervenção artística a figurar como espectáculo de geishas nos lupanares e bordéis de Quioto. Ao longo do século XVII, o Kabuki (cujas formas sofreram uma rápida evolução) foi objecto de sucessivas proibições e reformulações legalmente impostas que tiveram como efeito a interdição, primeiro das mulheres, depois dos jovens rapazes que as substituíram no palco kabuki, por veicularem ambos uma sensualidade desalinhada com o rígido código moral samurai. Até ao século XX, apenas homens puderam pisar o palco kabuki. Contemporaneamente, o kabuki tornou-se um espectáculo popular que combina realismo e formalismo, música e dança, mímica, encenação e figurinos, implicando numa constante integração entre os atores e a plateia. Desde 2008 que o teatro Kabuki integra a lista representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade), nem mesmo da língua japonesa, o fascínio da história de um menino acolhido pela renomada casa de Kabuki de Kamigata e treinado junto com o filho do dono da casa e mestre da arte. Através das provações e tribulações da vida, ele vivenciou os altos e baixos do sucesso e do infortúnio, com a tradição e o legado familiar como obstáculos que romperam os laços de irmandade, mas que também o ajudaram a se reconectar com seus familiares mais tarde. Esse menino, Kikuo, agora um homem, graças ao seu talento e devoção à arte, tornou-se um "Kokuho", um Tesouro Nacional. Esta é uma história humana em escala épica, baseada em um romance de Shuichi Yoshida. A beleza do filme reside na elegância de sua narrativa. A destilação de algo até sua essência e a extração da pureza de sua beleza são uma forma única da estética japonesa. A trilha sonora é sublime. Como exemplo de seu poder, a música da cena em que Kikuo sobe ao palco por meio de uma unção, burlando o protocolo de legitimidade e, assim, substituindo o filho e herdeiro do papel que havia assumido. A música dessa cena sublinhou a decepção e a dor dos personagens... OU... Nomeação para categoria de "melhor maquiagem", no Oscar.
Título Original: Kokuhô
Ano de Lançamento: 2025
Direção: Sang-il Lee
País de Produção: Japão
Idioma: Japonês
Duração: 175 min.


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