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Mostrando postagens com marcador João César Monteiro. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 27 de julho de 2022

Silvestre


 

Portugal. Séculos XV-XVI. Dom Raimundo, um senhor interessado em alargar os seus domínios, combina o casamento de uma das filhas – uma legítima, Sílvia, outra bastarda, Susana – com um vizinho rico e jovem, D. Paio, seguindo para a corte, a fim de convidar o rei a assistir à boda. Durante a ausência do pai e, mais tarde, aquando do banquete nupcial, ocorrem insólitos acontecimentos, que envolvem um peregrino a Santiago e um cavaleiro, que desejam as duas meninas...OU... Enquanto um nobre está fora para visitar e convidar o rei para o próximo casamento de sua filha, um estranho peregrino bate à sua porta em busca de abrigo. Essa visita termina em um confronto violento e o peregrino assume diferentes identidades para se vingar. Enquanto isso, o nobre desaparece e sua filha tem que se passar por um jovem cavaleiro para salvá-lo. Ambientado em tempos medievais, o filme faz uso de cenários teatrais, linguagem lírica e um ritmo lânguido para dar a sensação única de um conto folclórico transmitido há muito tempo. O elenco é liderado por Maria de Medeiros, de 15 anos, e pelo colaborador frequente de João César Monteiro, Luís Miguel Cintra.... Adaptação de dois Contos Tradicionais Portugueses: A Donzela Que Vai à Guerra, de origem judaica peninsular; e A Mão do Finado, transmitido pela tradição oral e que faz parte do ciclo do Barba Azul. Estreia de Maria de Medeiros (Sílvia).


Título Original: Silvestre

Ano de Lançamento: 1981

Direção: João César Monteiro

País de Produção: Portugal

Idioma: Português

Duração: 120 min. 



terça-feira, 24 de setembro de 2019

As Bodas de Deus



A terceira longa-metragem da trilogia que o retrata como alter-ego na figura de João de Deus, sendo a primeira delas Recordações da Casa Amarela e a segunda A Comédia de Deus.... João de Deus, o tarado e sexual abusador de garotas menores, está tranqüilamente almoçando num parque, depois de anos trancado num hospício, depois na prisão, (condenado por abusar de adolescentes), quando o diabo em pessoa lhe dá uma mala cheia de dinheiro. João de Deus, então, irá desfrutar da luxúria e da lascívia proporcionada pelo dinheiro maléfico, sem nenhum arrependimento ou qualquer sinal de remorso cristão... até que, em jeito de epilogo, João de Deus, apesar de blasfemo, Deus, o Juiz Supremo, tudo lhe perdoa então e, depois de cruel castigo, lá lhe confere o direito ao Paraíso... ou, em jeito de mensagem final, "quem espera por sapatos de defunto morre descalço" (primeiro filme de 1971) e "divino sim senhor, mas parvo é que não!". Eis o epílogo: vale mais a astúcia que a bondade e Jesus devia ter aprendido isso. Nesta trajectória, em suma, é superado o mito pagão do eterno retorno, em que tudo acaba por ir dar ao mesmo. Faz-se jus à História, acaba por vingar o princípio linear do judeo-cristianismo: o caminho que todos nós seguimos, direitinhos a um fim sem retorno possível... (João César Monteiro faleceu em 2003, vitima de cancêr).

Título Original: As Bodas de Deus
Ano de Lançamento: 1999
Direção: João César Monteiro
País de Produção: Portugal, França
Idioma: Português
Duração: 147 min.

Comédia de Deus



A segunda longa-metragem da trilogia que retrata o Diretor como alter-ego, na figura de João de Deus, sendo a primeira delas "Recordações da Casa Amarela" e a terceira "As Bodas de Deus"... A trilogia explora, com repetidas referências autobiográficas, num estilo sarcástico, com humor mal humorado, a personagem de Deus, o protagonista, encarnado num, bem humano, pobre diabo. O resultado pretendido é traçar uma caricatura de alguém menos virtuoso que vicioso... Perseguido pelas recordações, saído do manicómio, João de Deus prosperou, tornando-se responsável pelo Paraíso do Gelado e inventando mesmo a especialidade da loja. Passa o tempo livre em casa, solitário, com uma colecção de pelos do púbis feminino, que ciosamente guarda num Livro de Pensamentos. A dona do Paraíso, Judite, ambiciona alargar o negócio a uma congénere francesa, contando com uma delícia do protegido, para convencer o virtual sócio parisiense. Mas as coisas correm mal, enquanto o próprio comportamento de Deus começa a deteriorar-se com uma mal sã insanidade. A causa mais próxima é Joaninha, de 15 anos, a filha do severo talhante do bairro... mas tem outras causas não tão próximas, como as empregadas da Gelataria, confome o exemplo que junto no trailer...


Título Original: A Comédia de Deus
Ano de Lançamento: 1993
Direção: João César Monteiro
País de Produção: Portugal, França, Itália, Dinamarca
Idioma: Português
Duração: 163 min.



Recordações da Casa Amarela



Não é fácil falar de João César Monteiro... amado e odiado, para mim, talvez, pelo menos, o mais louco diretor português de sempre. Os cigarros não deixaram que vivesse mais do que até 2003, mas na sua obra,  polémica e dificilmente classificável, quer como ator, escritor e diretor, encontramos sempre o lirismo, em forma de poema, de antropologia social, e muito humor satírico, mordaz e recalcitrante...  que tem sido objecto de estudo para portugueses e estrangeiros, críticos e académicos.  Irreverente e imprevisível, olhar aguçado sobre a sociedade portuguesa, notoriamente influenciado por Murnau, as clássicas comédias portuguesas e pela Novelle Vague dos Cahiers, justificou sua ausência de estudos universitários por "A escola é a retrete (privada) cultural do opressor" e no fim da vida disse "que se vão todos FODER"... Seu alter-ego, João de Deus, nesse filme, é um indivíduo de meia-idade, um pobre diabo, vive no quarto de uma pensão barata na zona velha e ribeirinha da cidade. Doente, e por vicissitudes várias, o idiota alimenta-se de Shubert e de uma vaga cinéfila que cultiva como forma de resistência à miséria. É posto no olho da rua, depois de um "precalço".. Privado de quaisquer recursos, sozinho, vê-se confrontado com a dureza da vida urbana e... Será este o seu filme mais equilibrado e bem conseguido. Foi premiado com o Leão de Prata em Veneza. E presente em Cannes. Legendado para ajudar a entender a pronúncia. Espero que gostem.

Título Original: Recordações da Casa Amarela
Ano de Lançamento: 1989
Direção: João César Monteiro
País de Produção: Portugal
Idioma: Português
Duração: 118 min.



quinta-feira, 4 de julho de 2019

À Flor do Mar



João César Monteiro, mais conhecido pela fase final,  incorporando o alter ego João de Deus, tem extensa filmografia (1972/2003). Este filme, um exemplo de um Drama/Romance, um filme de sentimentos, estados de alma, silêncios emocionais e estéticos, num elenco internacional, com a luz do Algarve, em fundo... Uma italiana (Laura) vive em Tavira após a morte do seu marido. No dia em que um dirigente palestiniano é assassinado no Algarve, numa reunião de partidos e organizações socialistas, Laura encontra, na praia, um homem ferido. Sem pensar duas vezes resolve ajudá-lo. A presença do desconhecido cria quase uma desordem sentimental na casa onde vive com as cunhadas Sara e Rosa. Laura trata do ferido, que diz chamar-se Robert Jordan, e esconde-o no estúdio do falecido marido, um pintor morto em circunstâncias estranhas...

Título Original: À Flor do Mar
Ano de Lançamento: 1986
Direção: João César Monteiro
País de Produção: Portugal
Idioma: Português, Inglês, Francês, Italiano, Alemão
Duração: 143 min. 



Vai e Vem



Um filme a que associamos, inevitavelmente, uma dimensão testamentária — de facto, João César Monteiro (1939-2003) concluíu-o poucos meses antes de falecer (cancer do pulmão) e, mesmo que a sua nova personagem (`João Vuvu`) não seja uma projecção autobiográfica, será difícil não ver na sua aproximação da morte um eco da condição então vivida pelo próprio realizador/actor. Uma coisa é certa: o mais forte do filme provém desse olhar com a morte que percorre todas as peripécias de «Vai e Vem», afinal uma espécie de deambulação sarcástica por um certo quotidiano e pela decomposição das suas crenças e valores... ou melhor, uma espécie de Epilogo da trilogia de "João de Deus"... João Vuvu (João César Monteiro) é um viúvo que vive sozinho, levando sua vida realizando passeios de carros exatamente iguais todos os dias. O único parente que João ainda tem é seu filho, Jorge Varela (Miguel Borges), que está na cadeia após ter sido condenado por duplo homicídio e assalto a mão armada. Com Jorge prestes a sair da prisão, João passa a alimentar a expectativa de que ele tenha se regenerado. Entretanto, a índole criminosa do filho mais uma vez vem à tona, causando a ambos um destino irreversível.

Título Original: Vai e Vem
Ano de Lançamento: 2003
Direção: João César Monteiro
País de Produção: Portugal, França
Idioma: Português, Ucraniano, Espanhol, Latim, Grego
Duração: 179 min.