África Portuguesa, 1973. Nos últimos tempos da Guerra Colonial um pequeno grupo de soldados avança no mato. Um soldado morre vítima do rebentamento de uma mina. Em Lisboa, doze anos depois, Raul e Piedade, pequenos agricultores do Minho, visitam Alexandre, o filho mais novo, e Laura, a viúva do filho mais velho que morreu em África na guerra. A família volta a estar junta, mas nunca será o que foi. Há uma pequena dor, serena e amarga, que o tempo não esbateu. Raul e Piedade regressam à terra. Alexandre e Laura não têm lugar para regressar. Nem para esquecer.
"Um Adeus Português", de 1985, é a segunda longa-metragem de João Botelho, o autor do sofisticado "Conversa Acabada", que confirma plenamente o seu particular domínio estético, artistico e narrativo num filme de uma notável coesão.
Olhar amargo e sentido sobre um conjunto de personagens que, entre a Guerra Colonial e uma Lisboa desencantada em meados dos anos oitenta, tenta encontrar os víulos familiares e emocionais, perdidos no tempo, na memória e na tristez"Um Adeus Português" é pois um filme tocante, surpreendente e profundamente português que soube reflectir, admiravelmente, sobre uma memória tão incómoda de forma tão sensível.África DE PORTUGUESA, 1973. Lentamente, temos muito tempo: as
palavras do Segundo Tenente para o pequeno bando de soldados que ele
comanda. Uma
mina terrestre explodindo na trilha da floresta, a patrulha perdeu na
floresta. A morte de um soldado, baleado durante a noite. Envolvidos
numa guerra em que o inimigo nunca é visto, os soldados manchados de
lama metodicamente realizam a peregrinação final sem amargura ou glória,
a despedida mansa de uma geração a cinco séculos de presença portuguesa
na África: uma história de guerra.
PORTUGAL, 1985. Raul e Piedade, pequenos agricultores do Minho, vão
visitar Lisboa. Eles vêem Alexandre, seu segundo filho, novamente e
visita Laura, a viúva de seu primeiro filho morto doze anos antes na
guerra na África. A família está junta novamente, mas nunca será nem uma
sombra do que era antes. Marcado pelo tempo, a memória que uma vez os
unia agora é apenas dor e silêncio. A vida é assim, de acordo com as
personalidades envolvidas. Eles não são amargos, mas aceitam as coisas
como são e sorriem. Raul e Piedade voltam para sua casa no norte, mas
Laura e Alexandre não têm para onde voltar: uma história de paz.
Biografia
Após a formatura da Escola de Cinema no Conservatório Nacional de
Portugal em 1976, João Botelho é mais conhecido pela sua adaptação
internacionalmente aclamada do clássico romance de Charles Dickens,
Tempos Dificeis (1987). Botelho tornou-se interessado em cinema enquanto
estudava engenharia. Ele abandonou os estudos de engenharia para
frequentar a escola de cinema e, logo após a formatura, encontrou
trabalho ocasional como artista gráfico e crítico de cinema, além de
fundar uma revista de curta duração. Botelho fez sua estreia na direção
com o documentário Um Projeto de Educação/Um Projeto de Educação
Popular, que co-helizou com Jorge Alves da Silva. Dirigiu seu primeiro
trabalho solo, Conversa Acabada / The Conversation Is Over, em 1981.
Para Tempos Dificeis, Botelho recebeu prêmios do Festival de Veneza de
1987. Em 1994, Botelho foi contratado para fazer um filme sobre a cidade
mais famosa de Portugal, Lisboa, para celebrar a sua designação como
uma capital europeia da cultura. O filme fazia parte de uma trilogia,
cada uma retratando parte de um dia típico em Lisboa. O filme de
Botelho, Tres Palmieras, cobriu as horas das seis da manhã às duas da
manhã e era composto por uma série de vinhetas curtas interessantes.
Botelho não fez outro filme até Trafico (1998). Sandra Brennan,
RoviTradução
Também Conhecido Como: Un adieu Portugais, Ein portugisischer Abschied, A Portuguese Goodbye
Título Original: Um Adeus português
Ano de Lançamento: 1986
Direção: João Botelho
País de Produção: Portugal
Idioma: Português
Duração: 91 min