"Um dia, em Saragoça, falei da possibilidade de fazer um filme-documentário sobre as Hurdes ao meu amigo Sanchez Ventura e a um anarquista, Rámon Acin. Então, este último disse-me: 'Escuta, se me sair a sorte grande, pago o teu filme.' Dois meses mais tarde ganhou na lotaria (...) e manteve a sua palavra." Num aparte sobre o financiador do documentário, Buñuel escreve: "Ramón Acin, anarquista convicto (...) conseguiu escapar habilmente aos fascistas que se apoderaram da sua mulher, anunciando que a fuzilariam se Acin não se entregasse. No dia seguinte, apresentou-se e foram os dois fuzilados." Sobre o fascínio pelas Hurdes: "Estas montanhas deserdadas conquistaram-me rapidamente. A destreza dos habitantes fascinava-me, assim como a sua inteligência e o seu apego à sua terra perdida, à sua terra sem pão. Pelo menos em cerca de vinte aldeias, o pão fresco diário era algo de desconhecido." Diz ainda Buñuel: "Dois anos mais tarde a Embaixada de Espanha em Paris deu-me o dinheiro para a sonorização do filme, realizada no estúdio de Pierre Braunberg. Este último comprou-mo e, a bem ou a mal, (...) acabou por mo pagar (...). Pude finalmente, devolver o dinheiro do filme às duas filhas de Ramón Acin, que já estava morto."
Título Original: Las Hurdes
Ano de Lançamento: 1933
Direção: Luis Buñuel
País de Produção: Espanha
Idioma: Francês
Duração: 27 min.

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